Pular para o conteúdo

Como calcular a comissão da manicure: passo a passo com exemplo em reais

Aprenda a calcular a comissão da manicure sobre o valor bruto ou líquido, com exemplo em reais, e veja se a parte do salão cobre o custo da cadeira.

Por YouSalon6 min de leitura

Manicure pintando as unhas de uma cliente

Se você já fechou o mês, pagou a equipe e ficou com a sensação de que o caixa não bateu, a comissão da manicure é um bom lugar para começar a olhar.

A manicure costuma ter muitos atendimentos curtos, com material que acaba rápido e boa parte paga no cartão. Pequenas diferenças no jeito de calcular, repetidas cem vezes no mês, viram dinheiro de verdade.

Neste artigo você vai ver as formas mais comuns de calcular, um exemplo em reais e como conferir se a parte que fica com o salão paga a cadeira.

Não existe percentual fixo em lei

Primeiro, um ponto que tira muita dúvida: nenhuma lei diz quanto a manicure deve ganhar por serviço. Um artigo publicado na Comunidade Sebrae PR lembra justamente que a lei não fixa percentual e que o valor sai da negociação entre salão e profissional.

Outro texto da mesma comunidade cita que a parte da profissional costuma variar entre 30% e 50%, conforme o tipo de serviço, a experiência dela e o posicionamento do salão.

Ou seja: o número certo é o que fecha a conta do seu salão e mantém uma boa profissional com você. Para chegar nele, você precisa fazer a conta.

As três formas mais usadas

1. Comissão sobre o valor bruto

A profissional recebe o percentual sobre o preço cheio do serviço. É a forma mais simples de explicar, mas todos os custos do atendimento (taxa da maquininha, esmalte, algodão, lixa, acetona, descartáveis, esterilização) saem da parte do salão.

2. Comissão sobre o valor líquido

Antes de aplicar o percentual, você desconta do preço os custos diretos daquele atendimento, geralmente a taxa do cartão e o material. O texto da Comunidade Sebrae PR lista justamente a taxa da operadora, os produtos, os descartáveis e a esterilização como itens que entram no custo do serviço.

É mais justo para os dois lados, desde que a regra esteja escrita e a profissional saiba exatamente o que é descontado.

3. Cota-parte no contrato de salão-parceiro

Se a manicure trabalha com você como profissional-parceira, o nome muda. Pela Lei 12.592/2012, com as regras incluídas pela Lei 13.352/2016, o salão centraliza os recebimentos e retém a sua cota-parte e os tributos devidos pela profissional sobre a parte dela (art. 1º-A, §§ 2º e 3º).

O percentual de retenção do salão precisa estar no contrato (art. 1º-A, § 10, inciso I). Veja os detalhes no artigo sobre contrato de salão-parceiro passo a passo.

Exemplo em reais

Vamos a um exemplo com números redondos e hipotéticos. Troque pelos números do seu salão.

  • Serviço: pé e mão por R$ 70,00
  • Taxa da maquininha (exemplo de 3%): R$ 2,10
  • Material usado no atendimento: R$ 6,00
  • Valor líquido do atendimento: 70,00 − 2,10 − 6,00 = R$ 61,90

Agora veja o que acontece em cada forma de cálculo, por atendimento:

Regra Manicure recebe Fica com o salão (depois de taxa e material)
50% sobre o bruto R$ 35,00 R$ 26,90
50% sobre o líquido R$ 30,95 R$ 30,95
40% sobre o bruto R$ 28,00 R$ 33,90

A diferença por atendimento parece pequena: R$ 4,05 entre as duas primeiras linhas. Agora multiplique por um mês.

Se essa manicure fizer 120 atendimentos no mês (de novo, número hipotético), a diferença entre comissão sobre o bruto e sobre o líquido é de R$ 486,00 por mês, só com uma profissional. Com três manicures, passa de R$ 1.400.

Não existe regra certa ou errada aqui. O que não pode é você escolher uma regra sem saber quanto ela custa.

A parte do salão paga a cadeira?

Essa é a pergunta que mais importa. Os R$ 26,90 ou R$ 30,95 que ficam com você não são lucro. Eles ainda precisam pagar aluguel, luz, água, recepção, limpeza, sistema, contador e impostos do salão.

O artigo “O seu salão de beleza é lucrativo?”, também da Comunidade Sebrae PR, mostra o raciocínio: separe os custos que variam com cada serviço (material, taxa de cartão, impostos sobre o faturamento, repasse aos profissionais) dos custos fixos do mês. O que sobra depois dos variáveis é a margem de contribuição, e é ela que paga os fixos.

Uma conta rápida para fazer hoje:

  1. Some os custos fixos do mês.
  2. Divida pelo total de atendimentos do salão no mês. Esse é o custo fixo por atendimento.
  3. Compare com o que fica para o salão em cada atendimento de manicure.

Exemplo hipotético: se o custo fixo por atendimento der R$ 22,00 e a parte do salão for R$ 26,90, sobram R$ 4,90 de lucro antes dos impostos do salão. Qualquer desconto ou promoção já come essa margem.

Para fazer essa conta com mais calma, veja quanto custa de verdade uma escova. O método é o mesmo para pé e mão.

Situações que geram briga (e como deixar claro)

A maior parte dos desentendimentos sobre comissão não vem do percentual, vem do que ninguém combinou. Defina por escrito:

  • Desconto e promoção: a comissão é sobre o preço de tabela ou sobre o que a cliente pagou de fato?
  • Pacote pago antecipado: a profissional recebe quando a cliente paga ou quando o serviço é feito?
  • Parcelamento no cartão: quem absorve a taxa maior do parcelado?
  • Venda de produto: esmalte ou fortalecedor vendido pela manicure tem comissão própria? Quanto?
  • Retoque e refação: se a cliente volta porque a unha descascou, há nova comissão?
  • Dia e forma de pagamento: semanal, quinzenal ou mensal, e como ela confere os números.

No contrato de parceria, as condições e a periodicidade do pagamento são cláusula obrigatória (art. 1º-A, § 10, inciso III da Lei 12.592/2012).

Como deixar o cálculo transparente para a equipe

Uma boa profissional fica onde confia nos números. Algumas práticas ajudam:

  • Registre cada atendimento na hora, com data, profissional, serviço, valor recebido e forma de pagamento. O texto do Sebrae PR sugere exatamente uma planilha com esses campos.
  • Entregue um extrato no dia do pagamento, atendimento por atendimento.
  • Revise a tabela de material a cada seis meses, porque o preço dos insumos muda.
  • Quando mudar a regra, avise antes e mostre a conta.

Se a sua tabela de preços não acompanha esses custos, vale ler como montar a tabela de preços do salão.

Resumo

  • Não existe percentual definido em lei: a comissão sai da negociação e da sua conta.
  • Comissão sobre o bruto é simples, mas joga todo o custo do atendimento no salão.
  • Comissão sobre o líquido divide os custos diretos, desde que a regra esteja escrita.
  • Em parceria, o percentual de retenção do salão precisa estar no contrato.
  • Sempre confira se a parte do salão cobre o custo fixo por atendimento.

Este artigo é informativo. Para definir regime de contratação e retenção de tributos, confirme com o seu contador.

Quer ajuda com isso?

Comissão bem calculada não adianta muito com cadeira vazia. Se você quer saber quantas clientes da sua lista não voltam há meses e quanto isso representa em atendimentos, peça um diagnóstico grátis da sua lista de clientes.

O YouSalon, da Eixo Systems, de Brasília, está em fase de lançamento, com vagas para salões fundadores.

Achou útil? Mande para outra dona de salão.

Diagnóstico grátis

Quanto dinheiro está parado na sua lista de clientes?

A gente mostra quantas clientes não voltam há mais de 60 dias e quanto isso vale por mês.

Falar no WhatsApp